31 de maio de 2008

Tenor do samba: 40 anos depois

Aveludada, grave, um baixo profundo: nem uma infinidade de adjetivos seria suficiente para definir com precisão a voz de Noriel Vilela. O carioca, que começou a carreira com o grupo Nilo Amaro e os Cantores de Ébano, morreu em 1975 e deixou apenas um disco, Eis o Ôme (Copacabana, 1968). Quarenta anos depois do lançamento, sua música continua conquistando fãs e seu vozeirão aparece com freqüência em comerciais, vinhetas de televisão e trilhas sonoras.

Aonoriel Vilela de Arantes (seu nome de batismo) gravou seu primeiro e único LP com forte influência afro. A cultura de umbanda e os causos do terreiro tomam conta das letras divertidas, revestidas pelo balanço que influenciou os grandes bambas do samba-rock. Em outras palavras, o legítimo samba de preto-velho. Destaque para as ótimas Saudosa Bahia, Promessado e a faixa-título, sempre com o tom de voz marcante e inimitável.

“E enquanto Noriel ‘espichava’ até um metro e oitenta e três, a voz descia até um fá natural profundo e aveludado, que ecoava nas serestas das noites de sábado e nas festinhas eventuais”, descreve Malu Rodrigues no texto de contracapa do LP. O disco único de Noriel foi lançado em CD pela EMI, dentro da série Odeon 100 anos – organizada pelo músico Charles Gavin. A carreira do tenor do samba foi abreviada por uma morte trágica, no dia 20 de janeiro de 1975. Diabético, Noriel sofreu uma hemorragia ao arrancar um dente e não resistiu.

A música mais famosa do intérprete, Dezesseis Toneladas, não está incluída no álbum. Versão em português para Sixteen Tons (de Ernie Ford e Merle Travis, um clássico do folk americano), a canção em nada lembra a atmosfera umbandista de Eis o Ôme. Mas, através de Dezesseis Toneladas (regravada por Clube do Balanço e Funk Como Le Gusta), a obra de Noriel se tornou conhecida entre a nova geração.

Curiosidade
Cheia de “malandragem”, a letra de Sixteen Tons foi totalmente alterada na versão brasileira. Composta em 1947, a música contava o sofrimento dos trabalhadores nas minas de carvão. Como muitos músicos folk eram considerados comunistas, agentes do FBI proibiram a execução do hit nas emissoras de rádio.

Um comentário:

Ronaldinho disse...

opa,
retrebuindo a visita.

mas não é apenas uma retrebuição não, pois gostei de seu blog e passarei outras vezes aqui

abraços
Ronaldo
http://escrevendodemusica.blogspot.com/