17 de maio de 2008

Depois não é como antes

É difícil não se aborrecer com a nova música dos Mutantes, gravada com uma formação muito diferente da do ano passado - já sem Arnaldo Baptista e Zélia Duncan. Não que Mutantes Depois - uma balada acústica de letra autobiográfica - seja ruim. Mas falta alguma coisa (e olha que nem estou pensando em Rita Lee...). Como não gostar dos Mutantes é quase uma heresia, prefiro ficar com as boas lembranças. E, ao ouvir Mutantes Depois, me lembrei do que estava fazendo há exatamente um ano.

Recordo bem daquele 26 de maio. Eu era um dos 1,5 mil espectadores no Teatro do Sesi (longe uma barbaridade! Foram 35 reais de táxi pra ir e 35 pra voltar). Na viagem de ida, o motorista uruguaio me disse três coisas que seriam bastante úteis em minha vida: didática, dialética... e a outra eu não me lembro. Fiquei pensando se aquilo teria alguma relação com o show que eu veria em seguida. Mas não tinha nada a ver. Bom, os Mutantes entram no palco e na platéia todos estão sentados. Afinal, o Teatro do Sesi, acostumado a atrações de teatro e MPB, dispunha de confortáveis poltronas. Mas na segunda música, uma multidão já estava de pé em frente ao palco. Foram duas horas de puro rock and roll, com Sérgio Dias e Arnaldo Baptista esbanjando vitalidade. E Zélia no papel de coadjuvante que lhe cabia.
Em texto da última edição da Rolling Stone, Artur Tavares afirma que o guitarrista Sérgio Dias passou a carregar nas costas a marca Mutantes e questiona se ele conseguirá fazer jus a ela. Ora, para responder basta voltar no tempo. Os Mutantes são o que são pelo que fizeram entre 1968 e 1971. Ou seja, rock irreverente em sintonia com o melhor da cena psicodélica e com ritmos regionais ao mesmo tempo. É tudo o que Sérgio Dias não fez na fase progressiva, quando lançou dois discos cheios de músicas longas e chatas (Tudo Foi Feito Pelo Sol e Ao Vivo, de 1974 e 1976 respectivamente) sem Arnaldo e Rita. E é tudo que continua sem fazer agora.

Na entrevista coletiva de lançamento de nova formação, Sérgio Dias deu a entender que os novos Mutantes poderão gravar outras inéditas. "Estamos lançando essa música (Mutantes Depois) para mostrar para vocês para onde estamos indo, e qual é o nosso rumo, nosso horizonte", disse. Talento ele tem de sobra. Mas não faria mal a ninguém se Sérgio (vocal e guitarra), Dinho Leme (bateria), Bia Mendes (voz), Fabio Recco (voz), Vinicius Junqueira (baixo), Henrique Peters (teclado, flauta e voz), Vitor Trida (teclado, guitarra, violão, flauta e voz) e Simone Soul (percussão) se apresentassem com outro nome.

2 comentários:

Polly disse...

Melhor seria se ele não usasse o nome "Mutantes". Muito estranho.


(www.pollyok2.zip.net)

Círia disse...

Oi, Danton
Obrigada pela visita ao meu blog. Adorei o novo formato do seu blog. Está ótimo. E continue falando de música. Vc fala muito bem sobre isso.
Quanto aos Mutantes, não consigo aceitar a Zélia Duncan no meio, apesar de achar válida a inicitaiva do grupo. I love Mutantes!!! I love Arnaldo Batista!!!
Bj