8 de Julho de 2009

A nova do Arctic Monkeys

Crying Lightning é o primeiro single de Humbug, terceiro álbum do Arctic Monkeys. A música foi lançada nesta semana durante o programa Zane Lowe, da BBC Radio 1. Está disponível para download pago no iTunes. O lançamento do CD está previsto para o dia 24 de agosto.

Produzido por Josh Homme (do Queens of the Stone Age), este é um dos discos mais aguardados de 2009. Sucessor de Whatever People Say I Am, That's What I Am Not (2006) e Favourite Worst Nightmare (2007), Humbug sairá em CD, vinil e versão digital. A capa (acima) já é conhecida.


6 de Julho de 2009

Dez anos sem Mark Sandman

Rock e guitarra tornaram-se indissociáveis desde que Chuck Berry tocou as primeiras notas há mais de 50 anos. De lá para cá o maior fenômeno cultural da história sempre esteve ligado ao instrumento, cuja sensação de poder assemelha-se a um soldado que empunha uma metralhadora na guerra. Houve quem pensasse diferente.

Não é por acaso que, depois daquele 3 de julho de 1999, nada de muito inovador tenha surgido no rock. Há dez anos morreu Mark Sandman, o líder do Morphine. A banda, formada em Cambrigde (EUA), destacou-se na década passada pela mistura de rock e jazz, tendo lançado cinco discos de estúdio. Detalhe: sem guitarra, uma vez que o grupo era formado apenas por baixo (de duas cordas), saxofone e bateria.

Com esse formato, o Morphine atingiu uma sonoridade única, inconfundível. As linhas de baixo hipnóticas, o sax cadenciado e a voz grave de Sandman deram luz à rara originalidade da banda, dissolvida quando o vocalista caiu morto na cidade italiana de Palestrina, vítima de um ataque cardíaco fulminante. Tinha 46 anos.

5 de Julho de 2009

Eternos indies

Basta ouvir os 50 segundos iniciais de The Eternal para ter certeza de uma coisa: o Sonic Youth não envelhece. Seja qual for a mágica que mantém sexy a voz de Kim Gordon – um bálsamo quando em contato com as guitarras noise de Thurston Moore e Lee Ranaldo –, a fusão de indie, punk e experimentalismo dos nova-iorquinos repete o êxito cada vez que eles entram no estúdio. Foi assim com o 16º álbum da carreira.

Representantes da vanguarda do rock há três décadas, o Sonic Youth continua dando aos seus fãs o que eles querem. Ou seja, melodias insinuantes e guitarras “sujas”, com frequência acrescidas de distorções. Desta vez, as músicas ganham como ingrediente referências culturais interessantes.

A ex-modelo alemã Uschi Obermeier, famosa pelo ativismo sexual e político nos anos 1960, é a “homenageada” em Anti-Orgasm, um dos destaques do álbum. Sacred Trickster é dedicada ao pintor francês Yves Klein e ao artista americano Noise Nomads, enquanto Leaky Lifebot paga tributo ao escritor beatnik Gregory Corso.

The Eternal está, na pior das hipóteses, no mesmo nível de Rather Ripped (2006), elogiadíssimo disco anterior. Ninguém jamais manteve uma carreira tão regular por tanto tempo. Impossível adivinhar qual o limite para uma banda que está na estrada há quase 30 anos e se supera a cada álbum.

Ouça Sacred Trickster aqui

3 de Julho de 2009

Lóki em cartaz

Longe dos Mutantes e tendo terminado o romance com Rita Lee, Arnaldo Baptista lançou Lóki? em 1974. O disco triste e intimista, hoje considerado um clássico incompreendido, era o prenúncio do que ocorreria alguns anos mais tarde. Ao cair do terceiro andar de um hospital, em 1982, Arnaldo flertou com a morte. E sobreviveu.

O documentário Loki, produzido pelo Canal Brasil, levou às telas do cinema a vida intensa do maior gênio do rock nacional. À frente dos Mutantes, Arnaldo mergulhou na psicodelia dos anos 1960 e deu um toque brasileiro ao rock da época. Misturou guitarras com ritmos regionais, trouxe irreverência à música e sumiu de repente, da mesma forma que apareceu meteórico ao lado de Rita e do irmão Sérgio Dias.

Foi resgatado do ostracismo nos anos 1990 graças à devoção de fãs ilustres, como Kurt Cobain e Sean Lennon. Há dois anos, participou da reunião dos Mutantes, banda hoje comandada sem o mesmo carisma por Serginho. Com o documentário recém-lançado, o Brasil ganha mais uma chance de fazer justiça a um de seus maiores gênios.


30 de Junho de 2009

Feitoria prepara segundo CD

A Feitoria trabalha desde o começo do ano na preparação do seu segundo CD. Depois do sucesso do primeiro trabalho (2005), com músicas sendo tocadas em rádios de todo o Rio Grande do Sul, a banda de Lajeado - que passou por algumas reformulações - vem com um som mais dançante e ao mesmo tempo pesado, incorporando cada vez mais as guitarras distorcidas à sua sonoridade.

Com composições feitas pelo guitarrista Vini Escobar, por colaboradores como Jorge Carente, Branco Oliveira, Alex Braga e Felipe de Quadro, além da primeira composição de Max Lima feita para a banda, a Feitoria, mais amadurecida musicalmente, traz músicas consistentes, uma sonoridade mais moderna e grooves marcantes.

Há exemplo do que se viu em Lutando pra viver, Olha o Guarda e Latir do Cão do primeiro CD, as letras de protesto estarão presentes nesse novo disco. Desigualdades sociais, questões políticas, hipocrisia e a esperança de uma mudança estão presentes nas letras de músicas como Mundo Bom e Pão e Circo. Somadas a isso vem a irreverente Praia do Rosa, uma balada especial e uma regravação surpresa.

O trabalho está sendo gravado em Lajeado, no estúdio da Top Records, que pertence ao guitarrista Max Lima. Segundo a banda, isso facilita muito na elaboração dos arranjos e na busca dos timbres que a Feitoria pretende apresentar. “As letras ou ideias iniciais surgem e a banda faz questão de debater e definir as músicas com todos os seus integrantes”, conta Max.

O CD chega às lojas no final do ano, mas Praia do Rosa já está disponível para download no site. Agora é a vez da música Menino Acorrentado entrar na programação - com letra de Felipe de Quadro, que mesmo não integrando mais a Feitoria continua na Banda “de coração”. O som conta ainda com as participações especiais de Tonho Crocco nos vocais e DJ Anderson nas pickup’s.

29 de Junho de 2009

Móveis sob medida

Não é de hoje que o ska fornece algumas das bandas mais consistentes da música independente nacional. Entre os principais nomes desta cena está um grupo brasiliense que cada vez mais ignora a barreira entre underground e popular. Com formação gigante – são nove músicos, a exemplo das grandes bandas do gênero –, o Móveis Coloniais de Acaju revela em C_mpl_t_ todo o seu potencial para o pop.

O novo álbum, segundo da banda, acaba de ser lançado pela Trama. As doze faixas estão disponíveis para download gratuito no site da gravadora. Embora a veia jamaicana sobressaia-se com instrumentos de sopro em profusão, rotular o disco é uma missão impossível. Ora aparecem guitarras indie (O Tempo), ora refrões explosivos (Descomplica), pra depois retornar à origem, ou seja, o reggae acelerado e irreverente (Indiferença, Café Com Leite, Pra Manter).

Desde que despontou no cena musical de Brasília, em 2002, o Móveis não soava tão pop quanto nas primeiras faixas de C_mpl_t_ (Adeus, Cheia de Manha), o que não impede o grupo de criar uma obra original. Segundo o baixista Fábio Pedroza, o grande desafio neste trabalho foi deixar clara a identidade sonora do grupo, no sentido de criar músicas e composições ainda mais autorais. Missão cumprida.

*Para baixar o álbum, basta acessar este site e fazer um cadastro gratuito

28 de Junho de 2009

Elvis é country

Elvis voltou a Nashville para gravar um disco inspirado na música de raiz norte-americana. Não se trata do Rei do Rock – óbvio –, mas do seu xará inglês. Aos 54 anos, Elvis Costello acaba de lançar Secret, Profane and Sugarcane, totalmente influenciado pelo blues e pelo country.

Para quem já foi da new wave ao jazz, gravar um disco conceitual não é novidade. Almost Blue, lançado em 1981 com os The Attractions, havia resgatado composições antigas de Hank Williams e Gram Parsons, entre outros mestres do country. Desta vez, Costello apresenta dez músicas inéditas cercado de músicos do gênero, com quem recria o clima bluegrass da primeira metade do século passado – numa fronteira musical entre Tennessee e Mississipi.

O engraçado é que o responsável por isto seja um inglês. Com Secret, Profane and Sugarcane Costello parece seguir o exemplo de Bob Dylan e Iggy Pop, que trocaram as guitarras por um clima intimista em seus últimos trabalhos. Não há sequer uma bateria, apenas violão, bandolim e contrabaixo, que ganham eventual companhia da rabeca e do acordeão.

Admirador confesso de Johnny Cash, o compositor criou algumas pérolas que cairiam bem na voz do Homem de Preto. A vibrante She Was No Good, um dos destaques do álbum, é uma delas. Costello é um dos últimos artistas do rock clássico que ainda tem algo a dizer. E, ao que parece, vai continuar assim por muito tempo.

27 de Junho de 2009

Público lamenta morte precoce

Ariberto Meneghini (49) tinha 14 anos quando comprou o primeiro LP do Jackson Five. Por muito tempo essa foi a trilha sonora das reuniões dançantes que ele, hoje empresário em Cruzeiro do Sul, promovia. “Nas músicas mais lentas tirávamos as moças para dançar”, recorda.

A admiração por Michael Jackson, surgida na juventude, acompanha Meneghini até hoje. Para ele, o músico falecido quinta-feira foi insuperável em sua época. “Ele revolucionou a dança. Misturou o funk com o pop, não ficou em cima de um ritmo só”, define. Na década de 1980, inclusive, tentava imitar os passos do moonwalk - dança criada por Jackson. “Para a gente era um fascínio”, descreve. Tanto que, até hoje, Meneghini prefere assistir aos clipes do que ouvir as músicas.

“Era estranho aquele cara fazendo aqueles movimentos, arrastando os pés com uma caminhada estranha”, relata o radialista Jair Pedrebon, da Sorriso FM, apresentador do programa Túnel do Tempo. Para ele, trata-se de um dos artistas mais influentes dos últimos tempos. “Vai fazer muita falta. Ele se superava a cada ano, era a obsessão dele”, observa.

Pedrebon acredita que a morte precoce pode transformar o cantor em um mito. “Assim que morre um ídolo, sempre tem alguém que vai querer imitá-lo.” O único erro de Jackson, segundo o comunicador, foi ter sido “racista com ele mesmo”.

*Publicado no Informativo