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27 de setembro de 2009

Ex-titã cai no iê iê iê

Para alguém que abomina as costeletas, até que Arnaldo Antunes saiu-se um bom roqueiro à moda antiga. No seu último álbum, Iê Iê Iê, o ex-titã trocou a música de vanguarda pela Jovem Guarda, substituindo a poesia concretista por versos singelos de amor. Desde que deixou sua antiga banda, em 1993, Arnaldo não soava tão assoviável.

Mais do que uma ode aos anos 60, Iê Iê Iê é uma mistura de ritmos. As referências são muitas: surf music, Jovem Guarda, a primeira fase dos Beatles, trilhas de faroeste e o twist, tudo amparado em parceiros habituais como Carlinhos Brown, Marisa Monte e Paulo Miklos. Dificilmente o ouvinte poderia esperar por algo como Longe, uma balada tão perfeitamente pop, num disco de Arnaldo Antunes. Se não está entre os melhores lançamentos do ano, certamente é um dos mais surpreendentes.

No release divulgado pelo músico, ele mesmo explica a mudança. “Um tanto por temperamento, mas também por herança tropicalista, sempre fiz discos marcados pela diversidade e pela mistura, livres da ideia de gênero musical”, define. “Talvez por isso mesmo, quis que essa minha volta a um som de banda com bateria tivesse uma face mais coesa.”