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8 de outubro de 2009

Mutantes só no nome

Uma coisa é o nome Mutantes. Outra é a formação atual do grupo, que em nada lembra o maior expoente do rock nacional em todos os tempos. Depois de 33 anos, um álbum com músicas inéditas chega ao mercado com apenas dois integrantes originais: o guitarrista Sérgio Dias e o baterista Dinho Leme.

Após uma turnê de reunião, Arnaldo Baptista – o cérebro da formação clássica dos Mutantes – deixou a banda em 2007. E, sempre que seu irmão Sérgio assumiu o comando, o resultado não foi dos melhores – haja vista os álbuns progressivos da década de 1970 e a fraca Mutantes Depois, música lançada em 2008. Em ambos os casos, a sonoridade lisérgica e irreverente de Arnaldo, Rita Lee e Sérgio foi substituída por um marasmo criativo.

Não é diferente com Haih...or Amortecedor, que acaba de ser lançado. Só que, em vez do rock progressivo da década de 70, Sérgio e companhia tentam reproduzir com outras ferramentas a psicodelia sessentista. Ou seja, mutação mesmo, só no nome. Salvam-se algumas boas melodias, mas o resultado final é muito fraco para uma banda que tem a grife que tem. Uma pena.

Ouça o álbum aqui

3 de julho de 2009

Lóki em cartaz

Longe dos Mutantes e tendo terminado o romance com Rita Lee, Arnaldo Baptista lançou Lóki? em 1974. O disco triste e intimista, hoje considerado um clássico incompreendido, era o prenúncio do que ocorreria alguns anos mais tarde. Ao cair do terceiro andar de um hospital, em 1982, Arnaldo flertou com a morte. E sobreviveu.

O documentário Loki, produzido pelo Canal Brasil, levou às telas do cinema a vida intensa do maior gênio do rock nacional. À frente dos Mutantes, Arnaldo mergulhou na psicodelia dos anos 1960 e deu um toque brasileiro ao rock da época. Misturou guitarras com ritmos regionais, trouxe irreverência à música e sumiu de repente, da mesma forma que apareceu meteórico ao lado de Rita e do irmão Sérgio Dias.

Foi resgatado do ostracismo nos anos 1990 graças à devoção de fãs ilustres, como Kurt Cobain e Sean Lennon. Há dois anos, participou da reunião dos Mutantes, banda hoje comandada sem o mesmo carisma por Serginho. Com o documentário recém-lançado, o Brasil ganha mais uma chance de fazer justiça a um de seus maiores gênios.


17 de maio de 2008

Depois não é como antes

É difícil não se aborrecer com a nova música dos Mutantes, gravada com uma formação muito diferente da do ano passado - já sem Arnaldo Baptista e Zélia Duncan. Não que Mutantes Depois - uma balada acústica de letra autobiográfica - seja ruim. Mas falta alguma coisa (e olha que nem estou pensando em Rita Lee...). Como não gostar dos Mutantes é quase uma heresia, prefiro ficar com as boas lembranças. E, ao ouvir Mutantes Depois, me lembrei do que estava fazendo há exatamente um ano.

Recordo bem daquele 26 de maio. Eu era um dos 1,5 mil espectadores no Teatro do Sesi (longe uma barbaridade! Foram 35 reais de táxi pra ir e 35 pra voltar). Na viagem de ida, o motorista uruguaio me disse três coisas que seriam bastante úteis em minha vida: didática, dialética... e a outra eu não me lembro. Fiquei pensando se aquilo teria alguma relação com o show que eu veria em seguida. Mas não tinha nada a ver. Bom, os Mutantes entram no palco e na platéia todos estão sentados. Afinal, o Teatro do Sesi, acostumado a atrações de teatro e MPB, dispunha de confortáveis poltronas. Mas na segunda música, uma multidão já estava de pé em frente ao palco. Foram duas horas de puro rock and roll, com Sérgio Dias e Arnaldo Baptista esbanjando vitalidade. E Zélia no papel de coadjuvante que lhe cabia.
Em texto da última edição da Rolling Stone, Artur Tavares afirma que o guitarrista Sérgio Dias passou a carregar nas costas a marca Mutantes e questiona se ele conseguirá fazer jus a ela. Ora, para responder basta voltar no tempo. Os Mutantes são o que são pelo que fizeram entre 1968 e 1971. Ou seja, rock irreverente em sintonia com o melhor da cena psicodélica e com ritmos regionais ao mesmo tempo. É tudo o que Sérgio Dias não fez na fase progressiva, quando lançou dois discos cheios de músicas longas e chatas (Tudo Foi Feito Pelo Sol e Ao Vivo, de 1974 e 1976 respectivamente) sem Arnaldo e Rita. E é tudo que continua sem fazer agora.

Na entrevista coletiva de lançamento de nova formação, Sérgio Dias deu a entender que os novos Mutantes poderão gravar outras inéditas. "Estamos lançando essa música (Mutantes Depois) para mostrar para vocês para onde estamos indo, e qual é o nosso rumo, nosso horizonte", disse. Talento ele tem de sobra. Mas não faria mal a ninguém se Sérgio (vocal e guitarra), Dinho Leme (bateria), Bia Mendes (voz), Fabio Recco (voz), Vinicius Junqueira (baixo), Henrique Peters (teclado, flauta e voz), Vitor Trida (teclado, guitarra, violão, flauta e voz) e Simone Soul (percussão) se apresentassem com outro nome.

9 de maio de 2008

Os novos Mutantes na RS

Com reportagem de capa sobre Fernando Gabeira, a edição 20 da Rolling Stone chegou às bancas nesta semana. Além de entrevista com o referido político, a RS traz bastidores sobre os novos álbuns do Weezer, Moptop, Racionais MC’s e matéria especial com a Pitty.

Em destaque, texto sobre a nova empreitada dos Mutantes. Sem Zélia Duncan (bom) e Arnaldo Baptista (ruim), Sérgio Dias apresenta nova formação e lança a primeira música inédita depois de 30 anos, a pouco inspirada Mutantes Depois. Trecho do texto de Artur Tavares:

“Após tocarem ao vivo a música em uma das sacadas do Teatro Municipal de SP, com uma borboleta gigante de luz estampada na parede, Dias levou sua banda para uma breve coletiva de imprensa, na qual evitou, muitas vezes com visível nervosismo, falar da recente saída de seu irmão Arnaldo Baptista e da cantora Zélia Duncan do grupo (fim de 2007).

Sobre a nova formação da banda só fez elogios. Os Mutantes de hoje, em que somente ele e o baterista Dinho Leme são da formação original, contam com Bia Mendes (voz), Fábio Recco (voz), Vinícius Junqueira (baixo), Henrique Peters (teclado, flauta e voz), Vitor Trida (teclado, guitarra, violão, flauta e voz) e Simone Soul (percussão).”