7 de novembro de 2008

Em alta cotação

A crise mundial chegou ao rock com o novo disco do AC/DC. Não que Black Ice, recém-lançado pelos australianos, esteja em baixa na cotação internacional. Pelo contrário: os riffs potentes do guitarrista Angus Young e o vocal afiado de Brian Johnson levantam qualquer bolsa de valores. Mas, para o jornal inglês The Guardian, a banda é a grande responsável pela recessão econômica. A justificativa é que o disco rendeu ao grupo o topo das paradas britânicas, o que não acontecia desde Back in Black, em 1980 – justamente o ano em que a inflação chegou a 20% e o desemprego atingiu quase dois milhões de cidadãos na Grã-Bretanha.

Brincadeiras à parte, Black Ice agradou os fãs, esperançosos por mais uma vinda da banda ao Brasil. Para eles – que acreditam que a fórmula utilizada há três décadas não ficou ultrapassada –, a crise está longe. Até porque depois de um álbum irregular, Stiff Upper Lip (2000), os australianos voltaram à velha forma. Fidelidade às raízes, pelo menos, é o que não falta. A palavra rock aparece no título de quatro das 15 músicas. Logo na faixa de abertura, Rock N’Roll Train, percebe-se pelo nome a vocação de Angus Young e companhia: hard rock em volume alto para ouvir na estrada.

4 de novembro de 2008

Para ler e ouvir

A Feira do Livro de Porto Alegre também é feita de música. Nas bancas situadas na Praça da Alfândega encontram-se publicações destinadas aos fãs de todos os gêneros - algumas delas a um preço bem razoável. Basta revirar bancas e saldões. Boa sorte!



Mais pesado que o céu: uma biografia de Kurt Cobain, de Charles R. Cross
Biografia completa do líder do Nirvana, que se suicidou em 1994. A pesquisa de Cross durou quatro anos. Foram mais de 400 entrevistas e livre acesso a diários, letras e fotos do músico. Ele reconstitui a infância de Cobain, desde quando vivia em um trailer com a família, até a sua ascensão meteórica e a conturbada relação com Courtney Love, entre outros temas. Editora Globo



Beatlemania, de Ricardo Pugialli
Não se trata de uma biografia, mas de um passeio histórico pela carreira de Paul, John, Ringo e George. George Martin, o lendário produtor dos Beatles, escreveu o prefácio da obra. O livro traz fatos marcantes, fotos e histórias nunca antes reveladas. Editora Ediouro






Vale tudo, de Nelson Motta
Biografia do mais polêmico cantor da música brasileira. A partir de um intenso trabalho de pesquisa e da sua convivência com Tim Maia, o jornalista e produtor musical Nelson Motta conta, ao ritmo irresistível do rei do samba-soul, a sua história de som, fúria, excessos e gargalhadas. Morto em 1998, Tim Maia definia-se como gordo, preto, cafajeste, formado em cornologia, sofrências e deficiências capilares. Editora Objetiva



Sargento Pimenta Forever, de Robson de Freitas Pereira (org.)
O tema aqui é o disco mais cultuado de todos os tempos, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967), dos Beatles. Mas o enfoque do livro é diferente. Sargento Pimenta mostra, à luz da psicanálise, o significado das canções num total de 15 textos – um para cada música, incluindo dois bônus. Editora Libretos


Paul McCartney: Todos os segredos da carreira solo, de Claudio D. Dirani
Repleto de dados técnicos sobre a carreira solo do ex-beatle: os discos, as canções e tudo o que aconteceu durante cada etapa e cada turnê. Traz ainda entrevistas exclusivas com fãs, amigos especiais e colaboradores. Editora Lira





Sexo, drogas e Rolling Stones, de Nélio Rodrigues
Chegou às lojas junto com o documentário Shine a Light, de Martin Scorsese. O livro cobre a carreira de Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ron Wood desde os primórdios, em 1962, até a estréia do filme no Festival de Berlim. Editora Agir





Foto: Luis Ventura/divulgação

1 de novembro de 2008

Ressaca gótica

Lançar um disco novo sem ter nada “novo” de fato é um desafio e tanto. Robert Smith, líder do The Cure, resolveu arriscar. A banda inglesa, sucesso nos anos 1980 em meio à onda pós-punk, gravou 4:13 Dream, o 13º álbum da carreira, como se curtisse a ressaca de uma noite oitentista. Deu certo. Ao contrário do depressivo Bloodflowers (2000), penúltimo trabalho, o disco apresenta um The Cure feliz consigo mesmo, com saudade (e resquícios) dos seus tempos áureos.

Se a coisa começa morna com a cansativa Underneath the Stars, o The Cure retoma nas faixas seguintes a energia da década em que, esteticamente, tudo era permitido – até fazer gatos dançarem no clipe de The Lovecats. As músicas Only One e Reasons Why lembram megahits como In Between Days e Friday I’m in Love. Nostalgia? Picaretagem? Quem se importa? 4:13 Dream é o melhor trabalho do Cure em muitos anos. Em tempo: o álbum estará disponível nos formados CD, LP e digital.

29 de outubro de 2008

Melodia cortante

Como uma jóia rara, a obra de Elliot Smith permanece distante do grande público cinco anos após a sua morte. Mesmo com o lançamento de dois belos álbuns póstumos, o cantor e compositor americano ainda é um artista pouco conhecido – principalmente no Brasil.

A morte foi tão emblemática quanto a sua música, repleta de arranjos suaves e melodias cortantes ao violão. Deitado na banheira do seu apartamento em Los Angeles, Steven Paul Smith (seu nome de batismo) acertou duas facadas no próprio peito. Antes, havia discutido com a namorada Chiba, que ouviu o grito derradeiro do amante. O dia era 21 de dezembro de 2003.

Para se ter uma idéia do poder de sua obra, a parede que aparece na capa do álbum Figure 8 (2000), em Los Angeles, foi transformada em uma espécie de santuário pelos fãs. Virou o Elliot Smith Memorial Wall, alvo de adoração de quem encontra um alento na obra introspectiva do compositor.

Criado em Portland, Oregon, Elliot começou a tocar piano aos nove anos de idade. Aos 10, pegou o violão pela primeira vez. Quatro anos mais tarde, quando foi morar com o pai, teve contato com as drogas e o álcool. Formado em Filosofia e Ciências Políticas, chegou a trabalhar numa padaria depois de graduado. Em 1994, lançou Roman Candle. Antes de morrer, gravou outros quatro álbuns. Dois discos foram lançados após a sua morte, From a Basement on the Hill e New Moon.

Elliot Smith - Baby Britain
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24 de outubro de 2008

A espera chega ao fim

Desde que Axl Rose anunciou o início das gravações de Chinese Democracy, mais de dez anos se passaram. O lançamento do sexto álbum do Guns N’ Roses chegou a ser cogitado diversas vezes na última década. Agora, finalmente, o disco deverá sair do forno. A nova data programada é 23 de novembro. Pelo menos desta vez, o CD já conta com um tracklist e uma capa, divulgados recentemente pela banda, o que aumenta a expectativa do público.

Chinese Democracy não é apenas o álbum mais demorado da história. Também ocupa o posto de mais caro de todos os tempos. Desde 1994, já custou cerca de US$ 13 milhões. Aos fãs, resta saber se a longa espera e o pesado investimento irão valer a pena. Com quase todas as faixas já conhecidas do público, graças à internet, o disco não tem obtido avaliações positivas em fóruns e comunidades virtuais. Se o resultado final ficar abaixo do esperado, falta de tempo e de dinheiro não serão desculpas para Axl Rose.

19 de outubro de 2008

Lisergia no britpop

O que esperar de um disco novo do Oasis? Sua impressão sobre o recém-lançado Dig Out Your Soul depende muito da resposta a essa pergunta. Se a expectativa é por inovação e quebra de paradigmas, convém não arriscar: há coisas mais criativas no mercado. Mas se o que você espera é o velho som chapado, influenciado pelos Beatles e que deu origem ao britpop dos anos 90, vá em frente.

O fã mais exigente, que quer ter despertado o desejo de tocar air guitar, como se estivesse não no seu quarto, mas em Wembley com outras 100 mil pessoas, não tem motivos para se decepcionar. É a volta da tal mágica, citada por Liam Gallagher ao lançar o novo álbum. Com influências claras do Fab Four e experimentalismo na dose certa, os ingleses produziram um disco muito à frente dos trabalhos mais recentes, já apontado por alguns fãs como o melhor desde (What’s The Story?) Morning Glory, de 1995.

Logo nas primeiras faixas, os irmãos Gallagher mostram que não estavam mentindo quando prometeram um disco psicodélico. Mas a psicodelia aqui ocorre ao estilo de Liam e Noel – que não aceitam o rótulo de britpop para Dig Out Your Soul. A abertura, com Bag It Up, é do tipo que levanta multidões.

The Shock of the Lightning e Falling Down, já conhecidas do público, têm maior potencial radiofônico, ao lado da balada I’m Outta Time. A experimental (Get Off Your) High Horse Lady, por sua vez, é a que melhor se encaixa na definição “viagem ácida sem ácido” de Liam sobre o álbum novo.

Apesar de Noel Gallagher afirmar que o álbum não tem nada de mainstream, Dig Out Our Soul alcançou o primeiro lugar em vendas no Reino Unido uma semana após o seu lançamento. O mesmo aconteceu com todos os discos de estúdio dos ingleses, desde a estréia com Definitely Maybe (1994). Enfim, caiu na rotina – o que, no caso do Oasis, é um elogio.

16 de outubro de 2008

O trovador na Oktober

Os fãs gaúchos de Zé Ramalho, que há algum tempo aguardam por um show no Rio Grande do Sul, têm um compromisso especial para este sábado. O compositor paraibano fará em Santa Cruz do Sul uma das apresentações mais concorridas da Oktoberfest.

O repertório de sua turnê atual é baseado em sucessos como Chão de Giz, Garoto de Aluguel e Admirável Gado Novo, além de regravações como O Trem das Sete (Raul Seixas).

No primeiro semestre, quem admira sua voz cavernosa e seu estilo trovador já havia ganhado um presente. O CD duplo Zé Ramalho da Paraíba, lançado pelo selo Discobertas, traz gravações do início de sua carreira, quando seu estado natal ainda estava incorporado ao nome artístico. Outra novidade, o CD/DVD Zé Ramalho canta Bob Dylan (Tá Tudo Mudando), está em fase final de gravação. Em mais de 30 anos de carreira, são 21 álbuns lançados.


Provável setlist:
1 - Mulher nova, bonita e carinhosa
2 - Beira-mar
3 - Mistérios da meia- noite
4 - Entre a serpente e a estrela
5 - A terceira lâmina
6 - Banquete dos signos
7 - Enternas ondas
8 - Avohai
9 - Vila do sossego
10 - Chão de giz
11 - Garoto de aluguel
12 - Admirável gado novo
13 - Batendo na porta do céu
14 - O trem das 7
15 - Trupizupe (não confirmada)
16 - Frevo mulher
17 - Sinônimos
18 - Vida de viajante

11 de outubro de 2008

Cem anos do samba

Em uma das cenas mais tocantes já produzidas por um documentário, Cartola está sentado ao lado do pai – com quem não conversava há mais de 40 anos. Como se fosse um conhecido casual, Sebastião de Oliveira pede ao filho que cante um samba. Cartola, dedilhando o violão, entoa vagarosamente os versos de O Mundo é um Moinho, a música que compôs quando a filha saiu de casa.

A cena ilustra a essência do maior sambista da história. Afinal, a família, a favela, os amores não correspondidos, a boemia, a vida de garçom, porteiro, lavador de carros era a inspiração para o seu samba triste e cadenciado – embora mais triste tenha ficado o samba após a sua morte. Até hoje, no dia em que estaria completando 100 anos, Cartola segue reverenciado em diversas regravações que já incluíram nomes como Beth Carvalho, Nara Leão e Cazuza, entre outros. O Sol Nascerá, por exemplo, ganhou mais de 600 versões.

Batizado equivocadamente, graças a um erro do escrivão, Angenor de Oliveira nasceu no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, no dia 11 de outubro de 1908. Tinha oito anos quando sua família se mudou para Laranjeiras e 11 quando passou a viver no morro da Mangueira, de onde não mais se afastaria. Desde menino participou das festas de rua, tocando cavaquinho no rancho Arrepiados e nos desfiles do Dia de Reis. Passando por diversas escolas, conseguiu terminar o curso primário, mas aos 15 anos, depois da morte da mãe, deixou a família e a escola, iniciando sua vida de boêmio.

Em 1932, fundou a Estação Primeira de Mangueira. Seu primeiro LP, no entanto, só seria lançado em 1974, meses antes de o compositor completar 66 anos de idade. Gravaria mais três discos até falecer, em 1980, num domingo de primavera – como hoje. Pouco, mas suficiente para torná-lo o maior nome do samba. A melhor definição dos últimos 100 anos é a frase de um velho amigo, Nélson Sargento: “Cartola não existiu, foi um sonho que a gente teve”.

Cartola e seu pai - O Mundo é um Moinho

10 de outubro de 2008

Camaleão maranhense

“Mal eu subo no palco, um maluco me grita de lá: ‘toca Raul’”, canta Zeca Baleiro em Toca Raul. “A vontade que me dá é de mandar o cara tomar naquele lugar”, prossegue o maranhense. O verso dá o tom do novo álbum do compositor, o recém-lançado O Coração do Homem-Bomba. Nele, Zeca liberta-se de alguns estereótipos e transforma clichê em boa música (o que, convenhamos, é melhor do que transformar boa música em clichê).

Se a rima algumas vezes é pobre (“Com Lolita eu só vivia na berita”, por exemplo), a fórmula transforma o seu novo CD em uma miscelânea de ritmos. Diferente do estilo acústico/lírico/romântico que o consagrou, O Coração do Homem-Bomba é tão agressivo quanto o título sugere. Seja na regravação da imperdível Alma Não Tem Cor (do Karnak) ou na animada Vai de Madureira, Zeca mostra uma faceta irreverente de sua obra. Não é de estranhar que um de seus planos seja um disco de música infantil.

Revelação no Vale

Vem de Arroio do Meio uma das boas surpresas da região. Inspirada no que há de melhor no rock gaúcho, a Charanga disponibilizou sua primeira música na internet. Com potencial para hit, Ofélia pode ser ouvida no site www.bandasgauchas.com.br/charanga

Formada por Luiz Antonio (vocais), Lucas (baixo), Thiago Sturmer (guitarra), Felipe (bateria) e Luís Henrique (teclado), a banda tem entre suas principais influências nomes como Beatles, Los Hermanos, Cachorro Grande, Led Zeppelin e Doors.

3 de outubro de 2008

Alarme falso

Uma notícia bombástica, publicada pelo tablóide inglês The Sun, na semana passada, deixou eufóricos os fãs do Led Zeppelin. A banda estaria prestes a se reunir para uma turnê com três membros da formação original: o vocalista Robert Plant, o guitarrista Jimmy Page e o baixista John Paul Jones. As baquetas ficariam a cargo de Jason Bonham, filho do lendário baterista John Bonham. Três dias depois, no entanto, Plant (ou Inri Cristo?) negou a informação. Segundo seus assessores, o cantor está na estrada com a cantora country Alisson Krauss e não pretende começar nova jornada em menos de dois anos após encerrar a atual.

Triste. Após a morte de Bonham, os outros três integrantes reuniram-se apenas três vezez, a última em dezembro do ano passado, em Londres. Estima-se que, na época, 20 milhões de pessoas tenham tentado comprar um ingresso para o show. Sob o nome Page & Plant, o vocalista e o guitarrista fizeram uma turnê bem sucedida comercialmente na década passada, embora muito longe da magia encontrada pelo quarteto nos anos 1970. Para quem sonhava em assistir o Led ao vivo, resta o consolo de que sua discografia pode ser encontrada em qualquer loja por um preço bem razoável.

30 de setembro de 2008

Gigante do hard em POA

Em uma seqüência de shows internacionais nunca antes vista, Porto Alegre recebe no dia 2 de outubro um ícone do hard rock. Os ingleses do The Cult, de volta à formação original, apresentarão na Capital clássicos da década de 1980 como She Sells Sanctuary e Revolution, além de músicas do último álbum, Born Into This (2007). Há mais de 20 anos, em pleno auge do movimento pós-punk, a banda (re)injetou no rock and roll os riffs explosivos de guitarra e as performances arrasadoras de palco, herdadas dos conterrâneos do Led Zeppelin.

A ligação com os anos 1960 e 1970, aliás, não fica restrita à sonoridade do The Cult. O vocalista, Ian Astbury, fez as vezes de Jim Morrison (morto em 1970) como vocalista do lendário The Doors para a gravação de um DVD e uma turnê. Mas o The Doors of 21st Century (novo nome do grupo) não foi adiante, e Astbury voltou a fazer o que sabe de melhor. Ainda bem.

Entre os outros shows marcados para Porto Alegre estão Bem Harper (30 de setembro), KT Tunstal (19 de outubro) e R.E.M. (6 de novembro).

17 de setembro de 2008

Um tapa na orelha

Anunciar uma volta às origens é uma ótima estratégia para quem anda longe dos holofotes. Mas no caso do Metallica, vai muito além do marketing. Com o recém-lançado Death Magnetic, o quarteto revive os tempos em que James Hatfield, Kirk Hammett, Lars Ulrich e Cliff Burton (substituído por Jason Newsted e, posteriormente, por Robert Trujillo) eram quatro moleques cabeludos na ensolarada Califórnia. Depois do experimentalismo de St. Anger (2003), a banda finalmente volta a mostrar o que tem de melhor. O resultado é um tapa na orelha do ouvinte – da primeira à última faixa.

As intenções do quarteto ficam bem claras com as primeiras notas da música de abertura, That Was Just Your Life. Outras, como Broken, Beat & Scarred, têm potencial para conquistar tanto o público rock and roll quando a galera do metal. O que não quer dizer que o Metallica perdeu sua essência – pelo contrário. Com Death Magnetic o grupo recupera a energia de sua produção pré-black álbum (1991). A revista Rolling Stone classificou o disco como equivalente à invasão da Rússia à Geórgia: um ato repentino de agressão de um gigante adormecido.

5 de setembro de 2008

A popstar cinqüentona vem aí

Depois de ficar famosa aos 20, virar ícone pop aos 30 e tornar-se a artista mais bem paga do mundo aos 40, Madona chegou aos 50 popular como nunca e surpreendente como sempre. Com a nova idade, recém-completada no dia 16 de agosto, o fenômeno da música continua provocando histeria por onde passa. No Brasil, onde uma legião de fãs aguarda com ansiedade o seu retorno após 15 anos, não é diferente. A confirmação de três shows, dois em São Paulo e um no Rio de Janeiro, provocou corre-corre atrás dos ingressos. Tanto que, três meses antes, restam entradas apenas para uma das apresentações.

A turnê Sticky & Sweet marca a volta de Madonna ao Brasil após mais de uma década. Na primeira vez, com The Girlie Show, uma multidão seguiu seus passos em São Paulo – alguns chegaram a passar a noite em frente do hotel onde estava hospedada. Durante a Confessions Tour, em 2006, os shows em solo brasileiro foram cancelados, adiando o seu retorno ao país por dois anos. Neste ano, o espetáculo servirá de divulgação para o seu 13º álbum de estúdio, Hard Candy. O show marcado para São Paulo, no dia 20 de dezembro, será o último da série.

Graças à inquietude artística e a sua capacidade de se reiventar, Madonna chegou aos 50 anos em evidência e bem longe da aposentadoria. Da sensualidade de Like a Virgin à rebeldia de Material Girl, passando pela polêmica de Like a Prayer (que provocou protestos da Igreja Católica), sua carreira é recheada de polêmicas e lançamento de tendências, assim como a sua vida pessoal. Aliando o talento ao seu grande senso de marketing, a cantora esbanja vigor – ao contrário de um contemporâneo famoso, o cantor Michael Jackson, que também virou cinqüentenário.

Popstar
Pop por excelência, Madonna está antenada com o rock, música eletrônica, dance, hip hop e retrô. Seu CD mais recente teve a produção do rapper Timbaland, o que reflete na sonoridade inspirada na música negra contemporânea. Com um título sugestido, Hard Candy (doce duro) ganhou edição especial com capa de couro e foi lançado até em vinil.

A poucos dias de dar início à nova turnê, que começou na Europa e passa pela América do Norte antes de chegar ao Brasil, Madonna revelou alguns detalhes sobre os shows. A apresentação é dividida em quatro partes, cada uma com uma influência. Estão incluídas a música folclórica romena, na parte mística, e a música festiva, durante a rave. Esta deverá ser a maior turnê já feita por uma mulher. A estimativa é de que os 55 shows previstos arrecadem US$ 250 milhões. O recorde atual, diga-se de passagem, pertence a Madonna.

3 de setembro de 2008

Para matar a saudade

Cinco mil pessoas cantam, em uníssono, músicas que jamais viraram hits nas grandes rádios. É uma espécie de devoção, que começa pelo figurino (all star é obrigatório) e termina no culto às personalidades de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, alma e cérebro do Los Hermanos. O cenário é o histórico show na Fundição Progresso (RJ), em 9 de junho do ano passado. Foi a última vez que Camelo, Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba subiram ao palco juntos. Na semana passada, a apresentação chegou às lojas em forma de CD em DVD.

Foi o primeiro lançamento dos cariocas após a separação provisória. Nem o momento mais constrangedor, com o mega hit Anna Julia, tira o ânimo dos fãs – que cantam sozinhos os primeiros versos de O Vencedor. O coro segue até mesmo nas canções mais obscuras, como as que integram o álbum 4, mal sucedido comercialmente. É verdade que a banda já havia lançado um registro ao vivo (Cine Íris, 2005), mas o novo DVD funciona como forma de matar a saudade dos fãs. Menos mal que os hermanos, oficialmente, não pararam em definitivo. Apenas deram um tempo.